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segunda-feira, 9 de julho de 2007

Santo de casa faz milagre



Noga Lubicz Sklar, crônista bem conhecida nestes VerdesTrigos, lançou na FLIP 2007 o seu romance Hierosgamos e, estando em Parati, entreguei-lhe uma pauta para uma entrevista com Amós Oz, escritor israelense, seu conterrâneo. Familiar com a língua hebraica, eu cria que Noga faria esta entrevista. Conseguiu a foto (do lado) e entregar ao meu ídolo in hands cartões da VerdesTrigos. Entretanto, fui surpreendido com a fantástica crônica sobre o painel que participaram Amós e Nadine Gordimer. Não deixem de ler.


Todos os dias de manhã, às seis da manhã,Amós Oz amansa o ego no Neguev. O escritor mora a cinco minutos de caminhada do deserto, e afirma não haver nada melhor que a vastidão da areia pra lhe ensinar cotidianamente a humildade. De volta em casa ele liga o rádio e ouve, no noticiário, o costumeiro bando de políticos com suas grandes palavras: "nunca"; "sempre"; "até o fim dos tempos"; mas só escuta o riso irônico das pedras do deserto, comentando a pretensão pomposa deles. O que não quero, não vou contar pra vocês de jeito nenhum, é que Amós Oz manca de uma perna (1), e é mancando que um dos grandes escritores do nosso tempo adentra o palco da FLIP para dividi-lo com a sul-africana Nadine Gordimer, minha primeira vez frente a uma Nobel, nossa. Uma emoção como poucas.. >>>> leia mais


(1) - dizem línguas melhores que a minha que Amós Oz machucou o pé dançando com a esposa na FLIP. Duvido. Nenhum dos dois tem cara de festeiro, enfim, mancando ou não, o cara é grande.




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quarta-feira, 4 de julho de 2007

"Meu contrato com o leitor é o de sorrir junto" , Amós Oz, na Folha


Defensor da paz em Israel, autor diz que busca "janela para o quintal de nossas vidas" em seus livros e que "imaginar o outro" é o remédio contra o fanatismo


Folha de S. Paulo - 4/7/2007 - por Noemi Jaffe
Amós Oz, 68, escritor israelense que participará nesta sexta da 5ª FLIP, em debate com a escritora Nadime Gordimer sobre o papel da literatura no resgate da humanidade, alia o olhar do kibutz ao olhar do deserto. O pragmatismo da vida coletiva e o mistério do deserto. Sua literatura também se define por essa estranha aliança entre realismo e enigma. O que é conhecido se reveste de espanto e soa subitamente desconhecido: ir ao mercado, cozinhar um frango. Como diz o autor à Folha, a trivialidade pode ser mais interessante do que grandes acontecimentos, e podemos nos apaixonar "pelo jeito como uma pessoa coça a cabeça". >> Leia mais


Lançamento: HIEROSGAMOS - DIÁRIO DE UMA SEDUÇÃO


HIEROSGAMOS - DIÁRIO DE UMA SEDUÇÃO
Autor: SKLAR, NOGA LUBICZ


"Com despudorada narrativa erótica, da pele à cona, ela brinca com palavras de múltiplos sentidos, e nos desperta para o desejo de também construir uma vida de amor.

De uma personagem de Almodóvar transforma-se na morena do Cântico dos Cânticos, mostra-nos o seu lado brilhante, numa disposição surpreendente para se apaixonar. Como é tímida, faz amor em inglês, e prova da doçura do leite e mel, eretz zavat halav como Semadar, na cama com Salomão. Como não se contentou em viver apenas um amor platônico e virtual, por suas trilhas secas, com a cona pingando de úmida, lançou-se sobre o mar, dividindo-o; e voou milhas para compreender o dinamismo e a essência do amor, que se perpetua de frente para o Cristo Redentor, no Alto Leblon" (Henrique Chagas)


Lançado na FLIP 2007, em Paraty. Já à venda




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domingo, 1 de julho de 2007

Flip consagra o escritor-celebridade


Festa literária de Paraty, que começa na quarta, segue tendência de festivais em que autores "globetrotters" dão "show'. Escritores comentam atual necessidade de freqüentar eventos literários em diversos países para promover seus livros


Não é à toa que o encontro literário de Paraty, que começa na próxima quarta-feira na cidade fluminense, tem nome e status de festa. A Flip chega à sua quinta edição seguindo uma transformação internacional no modo como a literatura é consumida no planeta.
Em sua natureza tido como atividade solitária, o ofício de escritor cada vez menos tem a ver com a idéia de um sujeito entretido em seu mundo particular, sentado numa escrivaninha ou à sombra de uma árvore, estudando ou refletindo em busca de inspiração. Tampouco os leitores têm tido no hábito de ler, como antigamente, uma experiência íntima e reflexiva.
A literatura virou show. Cada vez mais as editoras pedem aos escritores que façam parte de um jogo em que têm de vender seus livros em eventos internacionais, com palestras, entrevistas e atividades interativas com o público. Os leitores, por sua vez, já aceitaram a idéia de serem fãs de escritores-celebridade, reconhecidos não só por sua literatura, mas por sua capacidade de subir num palco e entreter uma platéia. (EDUARDO SIMÕES, MARCOS STRECKER, SYLVIA COLOMBO - DA REPORTAGEM LOCAL)


Noga Lubicz Sklar, que me deu o privilégio de escrever a orelha do seu inédito romance "Hierosgamos", a ser lançado na FLIP 2007 pela Giz Editorial, também estará em Paraty fazendo parte do show. Veja o que escreveu em seu Noga Bloga.



O resto é uma grande incógnita, let the sunshine in. Talvez o livro esteja na Livraria da Vila, talvez não. Talvez eu consiga falar com a Liz, talvez não. Talvez possa abordar o Amós Oz com um simpático e solidário shalom chaver talvez não, mas sim, espero que sim, que a FLIP seja um grande, GIGANTESCO SIM, e que de volta de lá eu possa usar um slogan novo para o Hierosgamos: Você será o único que ainda não leu. Brincadeirinha, viu, gente? Coisas de falta de assunto, e por falar nisso ninguém se espante se eu ficar ausente aqui no blog com alguma freqüência nos próximos dez dias, ao cabo dos quais estarei de volta sendo sempre a mesma, ou nunca mais sendo a mesma, personagem-autora ou autora-personagem, quem sabe o que na verdade se passa na mente de um autor de sucesso? Em breve, aqui no Noga Bloga, ou você quer ser o único que ainda não me lê?



"Hierosgamos - Diário de uma Sedução" tem uma capa excelente, linda e viva Rodin. Tem comunidade no orkut, blog Noga Bloga, vídeo no YouTube, orelha na VerdesTrigos e Giz Editorial se encarregou da edição impressa. Sucesso e sorte à Noga, autora e personagem, pois o show ainda nem começou! E tudo já está sendo um astronômico SIM, yes, yes.....




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Os 03 livros mais vendidos através do portal VerdesTrigos


1) Teatro Laboratorio de Jerzy Grotowski, O
O trabalho artístico de Grotowski é um dos mais significativos do teatro contemporâneo. Sua foi a elaboração do training, como exercício continuado, cotidiano e personalizado para o ator; sua a primeira experimentação sistemática e concreta da relação ator-espectador em um espaço cênico unitário. Sua a definição do grupo teatral como lugar de exploração pessoal e pesquisa artística, em um trabalho protegido, só em parte finalizado em cada um dos espetáculos. Sua a proposta de uma ética do ator como sujeito de experiências autênticas, que aperfeiçoa e desenvolve as intuições de Stanislávski. Muito do teatro contemporâneo, mesmo esteticamente distante dele, não teria sido possível sem o trabalho de Grotowski. A evidência deste papel é reconhecida internacionalmente pelos que fazem, assistem e amam a arte do teatro e sua extraordinária expressão contemporânea na criação e reflexão do grande diretor polonês. Este livro traz a tradução dos textos reunidos por Ludwik Flaszen e Carla Pollastrelli para a Fondazione Pontedera Teatro e vertidos para o nosso vernáculo pela professora Berenice Raulino.

2) NA PRAIA
Inglaterra, 1962. As profundas mudanças na moral e no comportamento sexual que abalariam o mundo ao longo daquela década ainda estão em estado de gestação. Edward Mayhew e Florence Ponting, ambos virgens, se instalam num hotel na praia de Chesil, perto do Canal da Mancha, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, sua mãe tem problemas mentais e o pai é professor secundário. A noiva é uma violinista promissora, líder de seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. O desajeitado encontro íntimo desses dois jovens ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana é repleto de lances cômicos e comoventes, configurando uma autêntica tragicomédia de erros. 'Na praia', entretanto, vai além disso. O drama dos recém-casados transcende o registro particular e o retrato de época para alcançar a dimensão de uma obra universal sobre o momento da perda da inocência, essa expulsão do paraíso que é um ponto de inflexão na vida de todo indivíduo. McEwan alterna os pontos de vista de Edward e Florence, radiografando seus pensamentos e motivações mais secretos. O sentimento trágico que fica no leitor vem da percepção dos estragos profundos e duradouros que um pequeno gesto, um único mal-entendido, uma palavra infeliz podem causar na vida dos personagens.

3)
E A HISTORIA COMEÇA
Grandes escritores escreveram e reescreveram a primeira frase de um livro várias vezes. A partir de sua experiência como romancista e crítico literário, Oz desenha neste livro o mapa da genialidade e processa a gênese de uma obra-prima, desconstruindo textos de importantes escritores, analisando os métodos utilizados para cativar os leitores e tecendo comentários sobre as estranhas e sedutoras formas pelas quais tais autores iniciaram suas obras.



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sábado, 30 de junho de 2007

Por isso não provoque



Encerro o post adiantando pra vocês as palavras (surpreendentemente) emocionadas de Henrique Chagas, editor do Verdes Trigos, que escreveu a orelha do Hierosgamos quando ainda mal nos conhecíamos:
"Com despudorada narrativa erótica, da pele à cona, ela brinca com palavras de múltiplos sentidos, e nos desperta para o desejo de também construir uma vida de amor."
Tá certo, Henrique: é esta exatamente a minha desmesurada pretensão. Pelo menos pra mim, funcionou. Funcionou pra você e espero que funcione pra cada leitor que arriscar me ler, ainda que na contramão da crítica, ou da falta eloqüente dela. (leia o post da Noga)



''Saí da Microsoft para vender felicidade'' (John Wood)


O americano John Wood dá a receita que transformou sua instituição filantrópica em uma máquina de atrair recursos. Aclamada por organizações internacionais, a Room to Read defende que a saída para a filantropia é adotar princípios do capitalismo


John Wood é um atleta das finanças e está causando reboliço por administrar sua organização não-governamental Room to Read - que constrói escolas e bibliotecas em países subdesenvolvidos- como se ela fosse uma multinacional.
Ex-diretor de marketing da Microsoft, ele ainda se parece com o estrategista corporativo que conseguiu fortalecer os músculos da gigante americana de informática na Ásia, região que, em 2000, considerava a empresa uma vilã imperialista.
Foi assim até 2000, quando Wood decidiu pedir demissão e usar parte de sua poupança (ele diz que foram US$ 50 mil) para fundar a Room to Read, hoje presente em oito países (Nepal, Sri Lanka, Camboja, Vietnã, Índia, Laos, África do Sul e Zâmbia). Neste ano, ela deverá chegar à América Latina. Ao todo foram construídas 287 escolas, 3.540 bibliotecas com 1,3 milhão de livros e concedidas 2.336 bolsas de estudo.
Sua experiência virou um livro ("Saí da Microsoft para Mudar o Mundo") e pode ser adquirido nas principais livrarias brasileiras ou aqui. (JULIO WIZIACK - DA REPORTAGEM LOCAL)


domingo, 29 de abril de 2007

Mais um sentimental...... Roney no seu "Galeria de Espelhos"



Outro sentimental (eu)





Reunião de amigos"Dá uma lida aqui no blog Bicho Solto e depois continue lendo (é o meu comentário)


Puxa… Isso é algo em que sempre penso, mas acho que nunca cheguei a colocar em palavras.


Talvez não tenha falado no assunto por não saber bem se é uma qualidade, um defeito, uma excentricidade, fruto de carência afetiva ou de uma alma que leva todo mundo muito a sério.


Gosto de pensar que é esta última. Acho que me apego às pessoas porque sempre olho para elas sob todos os aspectos indo do profissional ao emotivo passando por aquelas pequenas particularidades que nos fazem únicos.


A parte difícil disso é viver em um tempo onde os relacionamentos são justo o oposto, mantendo-se superficiais e fugazes.


Sonho um dia descobrir um jeito de juntar todas essas pessoas que passaram por minha vida ao menos umas 4 vezes ao ano! :-)"


[nota] Não deixe visitar este Blog do Roney, um cara sentimental, que expressa seus sentimentos, pensamentos e percepções de forma inteligente (coisa rara neste mundo virtual)



Terra Molhada, de Terezinha Oliveira Lemos


TERRA MOLHADA
Terezinha Oliveira Lemos


A chuva mansa acentua aromas,
envolve-me, intensamente,
o cheiro da terra molhada agradecendo a suave aspersão.


O espelho se revela
na poça d´água.
Resquícios da infância assomam,
tardes de brincadeira na rua.


O cheiro da terra molhada
numa linguagem especial
é um código de emoções.


[Nota] Recebi da Autora, de Araxá, MG, o seu novo livro "Terra Molhada". "Terra Molhada é um campo fértil a inspirar cidadãos e cidadãs na análise desta terra onde vivemos e que queremos para nós e para os que virão"


Yes, nós temos cana, por Mário Persona *


O Tio Sam veio aqui, chupou cana, escovou os dentes e assoviou de contente. Se antes o vizinho era o Canadá, agora vizinho é qualquer país onde cana dá. O Brasil se alvoroçou, Zé Carioca sambou e Carmem Miranda cantou: "Yes, nós temos cana!" O petróleo virou vilão.

E quem vai dizer que não? Monteiro Lobato quis defender o petróleo e pegou seis meses de cana. Mal sabia ele que um dia o país deixaria de lado "O Petróleo é Nosso" e adotaria o lema "Cana Para Todos". A Polícia Federal já adotou e veja no que deu. Os canadólares apareceram mais rápido que os petrodólares.

Tirando os morros do Rio, onde a cana é difícil de pegar, a monocultura vai tomar de assalto nosso território. O Brasil vai ficar um verde só, do Oiapoque ao Chuí. Os ambientalistas que nos vigiam pelo Google Maps vão pensar que reflorestamos a nação. Mal sabem eles que o país do carnaval virou um canavial.

No interior de São Paulo, onde moro, "canaviar" é substantivo caipirês, mas aposto que vai virar verbo. Aqui está tudo canaviado. Se canaviar afeta a biodiversidade? Que biodiversidade? Aqui mel tem gosto de melado, teta de vaca dá garapa e passarinho voa em zigue-zague depois que bebe água que passarinho não bebia. >> Leia mais




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Entrevista com Henrique Chagas para o portal "Autores e Leitores"


Henrique Chagas, 47, escritor e advogado, radicado em Presidente Prudente/SP, concedeu entrevista ao portal "", onde destacou a relevância do papel "religioso" na sua obra. Henrique não se vê como um ser fortemente influenciado pela religião no seu sentido comum, mas sente-se religado ao Eterno. "Assim, creio que não sou nada religioso no sentido comum, mas sou extremamente religioso no sentido ontológico da palavra. Desde que me entendo, sempre me vejo religado a uma força transcendente. Busco sempre identificar-me com Aquele cujo nome é impronunciável. Esse religare transparece nas minhas idéias e nos meus textos; e, mais, materializa-se na reflexão do sentido da nossa existência e da nossa identidade humana", disse Henrique.


Henrique revelou que está trabalhando um romance: "Escrevo um romance cuja temática é exatamente esta reflexão sobre o sentido da existência humana, muito mais profundo que nosso mero sentido religioso, ao contrário, projeto nas personagens as nossas dificuldades de compreensão do sagrado e do profano. Penso que não existem coisas sagradas e coisas profanas. Tudo é sagrado, já dizia Djavan. Nessa busca de identidade as personagens se esbarram com a sua inexorável pequenez frente ao universo, ao aquecimento global, à escassez de água que já se avizinha, muito embora neste mundo pós-moderno tudo seja facilitado pela tecnologia de ponta". Falou ainda do seu trabalho como advogado e especialmente de Verdes Trigos.


Leia a entrevista.


Um poeta e seus filhos



"Nem todos os pais podem dormir com seus filhos na mesma casa em que vivem. Como eu, alguns pais são separados, que dispõem apenas de um sábado e domingo para confirmar a paternidade e reencontrar o significado da família. Pai separado sempre está sob a ameaça de despejo. De ser trocado. Ou de ser esquecido".



É o que escreve o poeta Fabrício Carpinejar, na contracapa de seu último livro, Meu filho, minha filha (ed. Bertrand Brasil). Há muito sofrimento, acusação e culpa nesses belos poemas. A filha mais velha, já adolescente, é tema de versos magoados, de uma sinceridade difícil de encontrar:



Quando brinco com as crianças// e faço palhaçada, elas se divertem,/menos tu, encabulada pela maneira/como converso de igual para igual.//Tantas vezes ouvi tua vergonha/ explicando aos colegas,/com os olhos virados para cima:// "Meu pai é louco"./Louco por quem? Já perguntaste?



Ou ainda:



Corto tuas unhas e reclamas/ que aparo muito rente da pele./Desculpa, tudo que vivi foi rente à pele.//...Eu te alfabetizei e foste/me tirando o espaço entre as linhas./Guarda-me apenas uma fresta.//Não importa o que os adultos falam,/serei o pai da insistência./Até onde posso ir para te resgatar?/Eu faço a cama com o travesseiro/debaixo das cobertas. Conforta-me a idéia/de que alguém está dormindo.//Preferes que o travesseiro/ fique por cima. Abominas a sensação/de que há algum morto em tua cama.//Reclamas do teu pai, como se ele tivesse/ condições de se inventar de novo./Desculpa, corto as palavras/ muito rente da pele,/assim como descascava maçã e levava com a faca/ uma lasca por vez em sua boca.//Tudo o que vivi foi rente à pele./Deixei de ser pai e virei a pensão da tua mãe./Não esqueço o dia em que o oficial de justiça/bateu à minha porta a cobrar/ o que já concedia naturalmente./No papel timbrado, teu nome contra o meu.//O nome que escolhi contra o meu./O nome que sonhei contra o meu./Fui teu primeiro réu, sem que tu soubesses.



Dá vontade de respirar fundo antes de fazer qualquer comentário. Os próprios versos, aliás, parecem ter uma respiração difícil, entrecortada, de quem mal conseguiria articular um discurso prolongado de viva voz. Na verdade, a seqüência de poemas deste livro constitui menos uma escrita lírica do que um texto dramático. Imagino essas falas no palco, quem sabe com novos poemas declamados pelos personagens que ficaram mudos neste livro; seria uma peça impressionante. Mas já o que se tem no livro é de uma verdade, de uma precisão nas imagens, e de uma força emocional (sem derramamento, mas também sem reticência ou hermetismo) incomuns na poesia contemporânea. (Marcelo Coelho - Folha de São Paulo)




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sábado, 28 de abril de 2007

Direito autoral e Lei Rouanet


A Lei do Direito Autoral e os vários aspectos que a envolvem têm sido foco para discussão. Que obras são protegidas pela lei? Que cuidados ter na utilização de conteúdos protegidos? Entre estes e outros temas serão discutidos no novo curso da Escola do Escritor, que acontece no dia 05/05 (sábado), das 9h às 13h, na sede da entidade (Rua Deputado Lacerda Franco, 165, Pinheiros - São Paulo). Os professores escalados para o curso são: João Scortecci, escritor, editor, gráfico e livreiro; e Maria Esther Mendes Perfetti, graduada em Biblioteconomia e pós-graduada em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação. Inscrições no link pelo telefone 11-3813-8987. >> Leia mais






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O homem como agressor e vítima do meio ambiente

Os riscos estão em toda parte. Podem aparecer tanto na forma de processos naturais (terremotos, tsunamis, ciclones, alterações climáticas etc.) ou por conseqüências das atividades humanas (poluição, erosão, desertificação, aquecimento global, explosão, incêndio). Há riscos econômicos, geopolíticos, sociais, como a violência urbana. Em geral os fatores de riscos interagem e alguns pertencem simultaneamente a várias categorias e podem atingir tanto países pobres quanto ricos. O risco, porém, não é o acontecimento catastrófico propriamente dito e sim a percepção de uma potencialidade de crise, de acidente ou de catástrofe, Assim, a gestão dos riscos – ou seja, como prevenir e minimizar suas conseqüências – adquire uma enorme importância em todo o globo.

Para ilustrar os perigos que rondam o século XXI, a Editora Contexto acaba de lançar Os riscos – o homem como agressor e vítima do meio ambiente, organizado pela geógrafa francesa Yvette Veyret.

Os riscos – o homem como agressor e vítima do meio ambiente, uma leitura importante para ambientalistas, geógrafos, técnicos, fiscais, representantes da sociedade civil e políticos, leva-nos a dezenas de reflexões. Dos problemas naturais, industriais, econômicos/sociais, alimentares, e sanitários, encontrados em muitas dessas nações são indicadores de um desenvolvimento desigual e constituem, a esse título, uma grade de leitura particularmente útil para questionar a ação política em termos de gestão e de prevenção e dos comportamentos individuais.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

533 obras inscritas no Prêmio Portugal Telecom


Pela primeira vez, autores e editores inscreveram suas obras para concorrer ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2007 nas categorias romance, conto, poesia, crônica, dramaturgia e biografia. Até o ano passado, as obras eram definidas pela consultoria literária da Portugal Telecom. O resultado superou as expectativas dos organizadores: em pouco mais de um mês foram inscritas 533 obras, sendo que 382 preenchem os pré-requisitos do prêmio. Ontem (26/04) o Júri Inicial começou a votação que definirá os 50 primeiros finalistas. A lista dos livros concorrentes está no site do Prêmio. O Júri Inicial têm até o dia 25/05 para escolher as 50 obras que irão para a próxima fase.




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quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Dicionário Sefaradi de Sobrenomes

O Dicionário Sefaradi de Sobrenomes é fruto da persistência, do talento e da erudição de Guilherme Faiguenboim, Paulo Valadares e Anna Rosa Campagnano. Nele muitos brasileiros poderão promover um reencontro com o seu próprio passado, religando o que a intolerância religiosa, os efeitos da Inquisição e o isolamento obliterou.

O livro 'Dicionário Sefaradi de Sobrenomes - Inclusive Cristãos-Novos, Conversos, Marranos, Italianos, Berberes e sua História na Espanha, Portugal e Itália' conta com 12.000 sobrenomes e 17.000 verbetes. O livro também descreve a história dos sefaradis em duas partes - da antiguidade até a expulsão dos judeus; e da dispersão (após a expulsão) dos sefaradis até o século 20, que mostram a extraordinária saga de dezenas de milhares de famílias sefaradis ao longo de seis séculos.

[nota] Preciso dar uma estudada neste livro de sobrenomes, porque minha história familiar é totalmente singular. Meus ancestrais paternos vieram de Portugal. Meu avô aqui no Brasil adotou o sobrenome de Terra. Meu avô era conhecido como Antônio Terra, veio da região de Queluz/RJ para Piraju/SP. Meu pai nasceu em Bernardino de Campos/SP. Vieram, por volta de 1924, para o oeste de São Paulo, pleno sertão. Por ocasião da guerra, meu pai quis de toda maneira lutar nas tropas aliadas. Mas para se inscrever nas Forças Expedicionárias era necessário ter documentos. Num único todos foram ao Cartório de Maracai/SP e tiraram seus novos documentos. Meu avô adotou outro sobrenome: Antonio Leite das Chagas. Deixar de ser um Terra para tornar-se um Chagas. Meu avõ faleceu em 1960; não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas meu pai sempre dele contava histórias. Ele tinha costumes eminentemente judaicos, apesar do catolicismo nada praticante.Afinal, qual será o meu verdadeiro sobrenome? Nem acredito que seja Terra, muito menos Chagas.

domingo, 29 de outubro de 2006

Processos de Aculturação e Alteridade em Miltom Hatoum, por Fernanda Massebeuf

Relato de um Certo Oriente, de Miltom Hatoum (1), é o relato da volta de uma mulher a Manaus, após longos anos de ausência, e seu diálogo com o irmão distante. É a história de um regresso à vida em família e ao mais íntimo, nos quais o destino do indivíduo se enlaça ao do grupo familiar, na busca de si mesmo e do outro.

Por vir ao encontro da ótica dos processos de aculturação e alteridade, destacaremos o segundo capítulo da obra, iniciado com a evocação do acidente de Samara Délia, através de um processo analéptico. A digressão discursiva utilizada, estratégia narrativa utilizada pelo autor, também nos confronta à anedota em torno do papagaio, símbolo dos processos de assimilação e aculturação, a partir das circunstâncias da aquisição da Parisiense, passando pela evocação da relação entre Emilie e o relógio, e entre este e Samara Délia.>>>> leia mais

[nota]
Texto de estréia de Fernanda Massebeuf na VerdesTrigos

Fernanda Massebeuf estréia na VerdesTrigos, e, começa falando de um certo oriente.

Fernanda Massebeuf é graduada em LLCE (Língua, Literatura e Civilização Estrangeira) pela Universidade Sorbonne - Paris IV. Realiza atualmente um Master (Mestrado) a fim de se especializar em literatura brasileira, desenvolvendo estudo sobre a poesia de Hilda Hilst.

Acompanhe os textos de Fernanda Massebeuf e o primeiro deles é Processos de Aculturação e Alteridade em Miltom Hatoum

“Ave, Palavra”, de Guimarães Rosa: os pássaros e o Sul de Minas, por Chico Lopes

"Ave, Palavra", deve-se dizer de início, é para fãs de Guimarães Rosa. Dificilmente alguém que não tenha freqüentado um tanto do universo do escritor e amado cada momento de, por exemplo, "Grande Sertão: Veredas", poderá gostar do livro e aceitar as brincadeiras de Rosa com a palavra.

"Brincadeiras" em termos, porque se trata do trabalho do maior artista da palavra que a literatura brasileira conheceu. Se resta na cabeça de alguém uma concepção muito estreita do que é o brincar, não haverá captação apropriada do espírito do livro. Rosa foi um enorme de um criador, e, como todo grande criador, não deixou morrer em si um moleque curioso e travesso. >>>>> + + + + +

Link para "Ave, Palavra", no site da Editora.

O Piauí é aqui, por Contardo Calligaris

A condição básica de uma convivência democrática é que se goste da vida concreta

CHEGOU ÀS bancas o primeiro número da revista "Piauí". Li de cabo a rabo, numa noite.

Aprendi tudo sobre Salem, nossa antepassada etíope de 3,3 milhões de anos atrás. Acompanhei Roberto Jefferson no dia das eleições e conheci o poema que, nessa ocasião, ele declamou junto com o pai, Roberto Francisco.

Entendi que há uma luta entre as baianas do candomblé e as neo-baianas, que vendem acarajé evangélico. Soube dos comentários dos ex-presidiários do Carandiru sobre a morte do coronel Ubiratan. >>>> Leia mais

Piauí esgotado na primeira semana