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domingo, 29 de abril de 2007

Terra Molhada, de Terezinha Oliveira Lemos


TERRA MOLHADA
Terezinha Oliveira Lemos


A chuva mansa acentua aromas,
envolve-me, intensamente,
o cheiro da terra molhada agradecendo a suave aspersão.


O espelho se revela
na poça d´água.
Resquícios da infância assomam,
tardes de brincadeira na rua.


O cheiro da terra molhada
numa linguagem especial
é um código de emoções.


[Nota] Recebi da Autora, de Araxá, MG, o seu novo livro "Terra Molhada". "Terra Molhada é um campo fértil a inspirar cidadãos e cidadãs na análise desta terra onde vivemos e que queremos para nós e para os que virão"


Ícaro, de Gabriel Pedrosa


icaro.JPGLivro de estreia de Gabriel Pedrosa, Ícaro tem na experimentação seu traço mais marcante. Seus poemas são indissociáveis do projeto gráfico, do livro como suporte físico: ganham corpo em versos em desalinho, linhas tortas e contraste entre páginas cheias e vazias, explorando a espacialidade da palavra dentro de uma vertente de pesquisa estética que ecoa a poesia concreta, porém amplificando suas inovações.


Ícaro é, portanto, um livro atravessado pela metalinguagem, pelo olhar de quem lê criticamente o repertório de nossos momentos literariamente mais inventivos.


Ateliê Editorial me encaminhou um exemplar, que vou prazerosamente entrar em contato com as leituras e releituras de canções e poesias consagradas.


Um poeta e seus filhos



"Nem todos os pais podem dormir com seus filhos na mesma casa em que vivem. Como eu, alguns pais são separados, que dispõem apenas de um sábado e domingo para confirmar a paternidade e reencontrar o significado da família. Pai separado sempre está sob a ameaça de despejo. De ser trocado. Ou de ser esquecido".



É o que escreve o poeta Fabrício Carpinejar, na contracapa de seu último livro, Meu filho, minha filha (ed. Bertrand Brasil). Há muito sofrimento, acusação e culpa nesses belos poemas. A filha mais velha, já adolescente, é tema de versos magoados, de uma sinceridade difícil de encontrar:



Quando brinco com as crianças// e faço palhaçada, elas se divertem,/menos tu, encabulada pela maneira/como converso de igual para igual.//Tantas vezes ouvi tua vergonha/ explicando aos colegas,/com os olhos virados para cima:// "Meu pai é louco"./Louco por quem? Já perguntaste?



Ou ainda:



Corto tuas unhas e reclamas/ que aparo muito rente da pele./Desculpa, tudo que vivi foi rente à pele.//...Eu te alfabetizei e foste/me tirando o espaço entre as linhas./Guarda-me apenas uma fresta.//Não importa o que os adultos falam,/serei o pai da insistência./Até onde posso ir para te resgatar?/Eu faço a cama com o travesseiro/debaixo das cobertas. Conforta-me a idéia/de que alguém está dormindo.//Preferes que o travesseiro/ fique por cima. Abominas a sensação/de que há algum morto em tua cama.//Reclamas do teu pai, como se ele tivesse/ condições de se inventar de novo./Desculpa, corto as palavras/ muito rente da pele,/assim como descascava maçã e levava com a faca/ uma lasca por vez em sua boca.//Tudo o que vivi foi rente à pele./Deixei de ser pai e virei a pensão da tua mãe./Não esqueço o dia em que o oficial de justiça/bateu à minha porta a cobrar/ o que já concedia naturalmente./No papel timbrado, teu nome contra o meu.//O nome que escolhi contra o meu./O nome que sonhei contra o meu./Fui teu primeiro réu, sem que tu soubesses.



Dá vontade de respirar fundo antes de fazer qualquer comentário. Os próprios versos, aliás, parecem ter uma respiração difícil, entrecortada, de quem mal conseguiria articular um discurso prolongado de viva voz. Na verdade, a seqüência de poemas deste livro constitui menos uma escrita lírica do que um texto dramático. Imagino essas falas no palco, quem sabe com novos poemas declamados pelos personagens que ficaram mudos neste livro; seria uma peça impressionante. Mas já o que se tem no livro é de uma verdade, de uma precisão nas imagens, e de uma força emocional (sem derramamento, mas também sem reticência ou hermetismo) incomuns na poesia contemporânea. (Marcelo Coelho - Folha de São Paulo)




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sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Confira o ranking de livros mais vendidos = ficção e não-ficção

Ficção

1 - O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini - ed. Nova Fronteira - R$ 34,90 (368 págs.)
2 - O Diabo Veste Prada - Lauren Weisberger - ed. Record - R$ 44,90 (400 págs.)
3 - O Último Templário - Raymond Khoury - ed. Ediouro - R$ 49,90 (476 págs.)
4 - Memória de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Marquez - ed. Record - R$ 24,90 (128 págs.)
5 - Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom - ed. Ediouro - R$ 49,90 (407 págs.)
6 - A Bruxa de Portobello - Paulo Coelho - ed. Planeta - R$ 19,90 (296 págs.)
7 - Labirinto - Kate Mosse - ed. Suma de Letras - R$ 49,90 (580 págs.)
8 - Ponto de Impacto - Dan Brown - ed. Sextante - R$ 39,90
9 - Fortaleza Digital - Dan Brown - ed. Sextante - R$ 29,90 (336 págs.)
10 - Paixão Índia - Javier Moro - ed. Planeta - R$ 44,90 (392 págs.)

Não-ficção

1 - O Livreiro de Cabul - Asne Seierstad - ed. Record - R$ 40,90 (320 págs.)
2 - Marley e Eu - John Grogan - ed. Ediouro - R$ 29,90 (272 págs.)
3 - Pornopolítica - Arnaldo Jabor - ed. Objetiva - R$ 34,90 (236 págs.)
4 - Plano de Ataque - Ivan Sant'Anna - ed. Objetiva - R$ 38,90 (280 págs.)
5- Viagens com o Presidente - Eduardo Scolese e Leonencio Nossa - ed. Record - R$ 39,90 (280 págs.)
6 O Doce Veneno do Escorpião - Bruna Surfistinha - ed. Panda - R$ 23,90 (172 págs.)
7 - O Relatório da Cia - Como Será O Mundo em 2020 - Heródoto Barbeiro - ed. Ediouro - R$ 34,90 (240 págs.)
8 - 1.000 Lugares Para Conhecer Antes de Morrer - Patricia Schultz - ed. Sextante - R$ 39,90 (752 págs.)
9 - O Mundo É Plano - Thomas L. Friedman - ed. Objetiva - R$ 59,90 (512 págs.)
10 - Claro Como o Dia - Eugene O'Kelly - ed. Nova Fronteira - R$ 22 (160 págs.)

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