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domingo, 29 de abril de 2007

Ícaro, de Gabriel Pedrosa


icaro.JPGLivro de estreia de Gabriel Pedrosa, Ícaro tem na experimentação seu traço mais marcante. Seus poemas são indissociáveis do projeto gráfico, do livro como suporte físico: ganham corpo em versos em desalinho, linhas tortas e contraste entre páginas cheias e vazias, explorando a espacialidade da palavra dentro de uma vertente de pesquisa estética que ecoa a poesia concreta, porém amplificando suas inovações.


Ícaro é, portanto, um livro atravessado pela metalinguagem, pelo olhar de quem lê criticamente o repertório de nossos momentos literariamente mais inventivos.


Ateliê Editorial me encaminhou um exemplar, que vou prazerosamente entrar em contato com as leituras e releituras de canções e poesias consagradas.


Entrevista com Henrique Chagas para o portal "Autores e Leitores"


Henrique Chagas, 47, escritor e advogado, radicado em Presidente Prudente/SP, concedeu entrevista ao portal "", onde destacou a relevância do papel "religioso" na sua obra. Henrique não se vê como um ser fortemente influenciado pela religião no seu sentido comum, mas sente-se religado ao Eterno. "Assim, creio que não sou nada religioso no sentido comum, mas sou extremamente religioso no sentido ontológico da palavra. Desde que me entendo, sempre me vejo religado a uma força transcendente. Busco sempre identificar-me com Aquele cujo nome é impronunciável. Esse religare transparece nas minhas idéias e nos meus textos; e, mais, materializa-se na reflexão do sentido da nossa existência e da nossa identidade humana", disse Henrique.


Henrique revelou que está trabalhando um romance: "Escrevo um romance cuja temática é exatamente esta reflexão sobre o sentido da existência humana, muito mais profundo que nosso mero sentido religioso, ao contrário, projeto nas personagens as nossas dificuldades de compreensão do sagrado e do profano. Penso que não existem coisas sagradas e coisas profanas. Tudo é sagrado, já dizia Djavan. Nessa busca de identidade as personagens se esbarram com a sua inexorável pequenez frente ao universo, ao aquecimento global, à escassez de água que já se avizinha, muito embora neste mundo pós-moderno tudo seja facilitado pela tecnologia de ponta". Falou ainda do seu trabalho como advogado e especialmente de Verdes Trigos.


Leia a entrevista.


Um poeta e seus filhos



"Nem todos os pais podem dormir com seus filhos na mesma casa em que vivem. Como eu, alguns pais são separados, que dispõem apenas de um sábado e domingo para confirmar a paternidade e reencontrar o significado da família. Pai separado sempre está sob a ameaça de despejo. De ser trocado. Ou de ser esquecido".



É o que escreve o poeta Fabrício Carpinejar, na contracapa de seu último livro, Meu filho, minha filha (ed. Bertrand Brasil). Há muito sofrimento, acusação e culpa nesses belos poemas. A filha mais velha, já adolescente, é tema de versos magoados, de uma sinceridade difícil de encontrar:



Quando brinco com as crianças// e faço palhaçada, elas se divertem,/menos tu, encabulada pela maneira/como converso de igual para igual.//Tantas vezes ouvi tua vergonha/ explicando aos colegas,/com os olhos virados para cima:// "Meu pai é louco"./Louco por quem? Já perguntaste?



Ou ainda:



Corto tuas unhas e reclamas/ que aparo muito rente da pele./Desculpa, tudo que vivi foi rente à pele.//...Eu te alfabetizei e foste/me tirando o espaço entre as linhas./Guarda-me apenas uma fresta.//Não importa o que os adultos falam,/serei o pai da insistência./Até onde posso ir para te resgatar?/Eu faço a cama com o travesseiro/debaixo das cobertas. Conforta-me a idéia/de que alguém está dormindo.//Preferes que o travesseiro/ fique por cima. Abominas a sensação/de que há algum morto em tua cama.//Reclamas do teu pai, como se ele tivesse/ condições de se inventar de novo./Desculpa, corto as palavras/ muito rente da pele,/assim como descascava maçã e levava com a faca/ uma lasca por vez em sua boca.//Tudo o que vivi foi rente à pele./Deixei de ser pai e virei a pensão da tua mãe./Não esqueço o dia em que o oficial de justiça/bateu à minha porta a cobrar/ o que já concedia naturalmente./No papel timbrado, teu nome contra o meu.//O nome que escolhi contra o meu./O nome que sonhei contra o meu./Fui teu primeiro réu, sem que tu soubesses.



Dá vontade de respirar fundo antes de fazer qualquer comentário. Os próprios versos, aliás, parecem ter uma respiração difícil, entrecortada, de quem mal conseguiria articular um discurso prolongado de viva voz. Na verdade, a seqüência de poemas deste livro constitui menos uma escrita lírica do que um texto dramático. Imagino essas falas no palco, quem sabe com novos poemas declamados pelos personagens que ficaram mudos neste livro; seria uma peça impressionante. Mas já o que se tem no livro é de uma verdade, de uma precisão nas imagens, e de uma força emocional (sem derramamento, mas também sem reticência ou hermetismo) incomuns na poesia contemporânea. (Marcelo Coelho - Folha de São Paulo)




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sábado, 28 de abril de 2007

Direito autoral e Lei Rouanet


A Lei do Direito Autoral e os vários aspectos que a envolvem têm sido foco para discussão. Que obras são protegidas pela lei? Que cuidados ter na utilização de conteúdos protegidos? Entre estes e outros temas serão discutidos no novo curso da Escola do Escritor, que acontece no dia 05/05 (sábado), das 9h às 13h, na sede da entidade (Rua Deputado Lacerda Franco, 165, Pinheiros - São Paulo). Os professores escalados para o curso são: João Scortecci, escritor, editor, gráfico e livreiro; e Maria Esther Mendes Perfetti, graduada em Biblioteconomia e pós-graduada em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação. Inscrições no link pelo telefone 11-3813-8987. >> Leia mais






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domingo, 29 de outubro de 2006

Salada turca

Chega às livrarias brasileiras nesta semana "Neve", romance do Prêmio Nobel turco Orhan Pamuk que retrata a cisão cultural e religiosa de seu país

STEPHEN O'SHEA*
Para mim foi uma surpresa que, entre as muitas virtudes do romancista turco Orhan Pamuk, eu pudesse incluir também a presciência política. Elogiado como virtuose do equilibrismo pós-moderno -em companhia de Jorge Luis Borges, Italo Calvino e Umberto Eco-, Pamuk sempre propiciou delícias intelectuais aos seus leitores sem os preocupar demais quanto ao tempo em que eles vivem.

"Meu Nome É Vermelho" [Companhia das Letras] retratava uma disputa estética entre miniaturistas otomanos e foi elogiado como obra de gênio idiossincrático, e o mesmo pode ser dito sobre "O Castelo Branco" [Record], que gira em torno de um mestre muçulmano e seu escravo cristão que trocam de identidade.

Agora, com "Neve" [Companhia das Letras, trad. Luciano Vieira Machado, 488 págs., R$ 54], de 1996, portanto antes do 11 de Setembro, Pamuk oferece prova de que o artista solitário prevê melhor as viradas históricas do que qualquer especialista convidado habitualmente a proferir opiniões em programas de TV. >>>> + + + +

STEPHEN O'SHEA é autor de "A Heresia Perfeita" (ed. Record). Este texto foi publicado no jornal inglês "Independent".

Norueguesa é convidada de Ouro Preto

Folha de S. Paulo - 21/10/2006
A escritora e jornalista norueguesa Asne Seierstad, autora do best-seller O livreiro de Cabul (Record), participará do Fórum das Letras 2006, que ocorre em Ouro Preto (MG) entre 1º e 5 de novembro. Seierstad também lançará no evento literário seu novo livro, 101 Dias em Bagdá (Record). O Fórum das Letras 2006 terá palestras e debates com outros convida, como os escritores Efraim Medina Reyes (Colômbia) e José Eduardo Agualusa (Angola), o historiador Roger Chartier e a editora Luciana Villas-Boas. >> Leia mais

Åsne Seierstad nasceu em 1970. Jornalista norueguesa, é graduada em Russo e História da Filosofia pela Universidade de Oslo. Correspondente internacional, cobriu conflitos no Kosovo, Afeganistão e Iraque. Publicou With their Backs to the Wall, Portraits from Serbia.

“Resultado Sustentável: Esse é o nosso negócio” foi o tema da palestra de Mário Sérgio Cortella

Estive ontem em Bauru participando de um evento patrocinado por minha empresa empregadora, onde o ponto alto do evento foi a palestra do filósofo Mário Sérgio Cortella: “Resultado Sustentável: Esse é o nosso negócio”. Ficou claro que a empresa para qual trabalho não faz qualquer negócio, somente aquele que traz um resultado sustentável.

"Mario Sergio Cortella é um daqueles profissionais sempre dispostos a apresentar uma versão resumida do currículo, para facilitar os trabalhos. Ex-secretário municipal de Educação de São Paulo na gestão de Luíza Erundina, autor de uma dezena de livros, apresentador do programa Modernidade, na TV Senac, colunista de jornais e revistas e diretor de pós-graduação em educação da PUC-SP, ele seria capaz de trocar a extensa lista de condecorações intelectuais por uma única frase, dita por seu mestre maior, o professor Paulo Freire: “Cortella é um dos raros filósofos da educação que pensam o novo.” Definição precisa para este educador paranaense que usa todas as suas forças na busca de idéias e ações para ajudar a manter de pé o sistema educacional brasileiro. (by IstoÉ)
No ano passado, eu recebi da Editora Vozes o seu livro Não espere pelo epitáfio - Provocações filosóficas. Um livro fantástico, provocativo e nos instiga a pensar o novo, aguça os sentidos e nos desperta para uma atitude positiva perante a vida diária. Cada dia é um dia. Levei o livro e peguei um autógrafo, claro.

A palestra foi instigante. Unindo sua vasta cultura erudita, acumulada em uma vida dedicada à reflexão, a um domínio de público desenvolvido em décadas de aulas e palestras (sabe controlar o tempo como ninguém - todos queriam saber onde estava o relógio), Cortella ensinou, divertiu, e, acima de tudo, nos fez pensar.

A volta da Razão Cultural

A Editora Razão Cultural foi fundada em 1997, pela escritora Clair de Mattos, autora de livros como Paixão na Casa Morta e Grãos Vermelhos no Vale. Com sede em Copacabana, no Rio de Janeiro, a editora notabilizou-se por lançar exclusivamente autores brasileiros em edições bonitas e com design diferenciado. No começo de 1999, a Razão Cultural abriu em plena avenida Copacabana uma das mais simpáticas livrarias que já existiram no Rio. O espaço compreendia um café, um agradabilíssimo jardim de inverno e a própria a sede da editora, que ficava no mezanino. Em poucos meses, a Livraria Razão Cultural tornou-se um badalado ponto de encontro, graças, não só ao seu ambiente acolhedor como, sobretudo, aos eventos que lá aconteciam semanalmente.

A livraria funcionou até o final de 2001 quando, por motivos de saúde, Clair de Mattos viu-se obrigada a afastar-se da editora e vendeu-a. A Razão Cultural foi, então, incorporada à Editora Palavra & Imagem e mudou-se para um outro endereço em Copacabana, onde funcionou até 2004, quando encerrou suas atividades. Agora, em 2006, com a saúde recuperada, Clair de Mattos resolveu retomar seu antigo projeto e reabriu a editora com o nome de Nova Razão Cultural, restaurando-lhe o antigo logotipo que a celebrizou e instalando-a num edifício no coração de Copacabana, coincidentemente o mesmo imóvel para o qual a editora se mudara em 2001, após o fechamento da livraria. Com a mesma proposta original de dedicar-se à literatura nacional, a Nova Razão Cultural já lançou dois títulos: O Terrorista (Nova Razão Cultural, 2006, 125 págs.), da própria Clair de Mattos, romance que narra a caça a um terrorista iraquiano ligado à Al-Qaeda, que resolve abandonar a luta armada e fugir para o Brasil; e Trocas e Truques de Moda (Nova Razão Cultural, 2006, 123 págs.), da jornalista e consultora de moda Helen Pomposelli, um guia ilustrado de autoprodução para a mulher, com dezenas de dicas para combinações modernas e bem resolvidas entre roupas e acessórios.